Blog

1. Introdução

O presente texto procurar trazer algumas razões da antropologia para a análise dos modelos de ensino que adotamos no Brasil.

2. A luta da das espécies pela sobrevivência

(1) No livro “Retorno da Deusa” de Edward C. Whitmont, extremamente interessante e profundo, há uma passagem muito feliz para alimentar o nosso debate. Ele conta que estando o tempo bom, de repente uma raposa entra na toca e tira de lá todos os filhotes, levando-os para um lugar mais alto,
apesar do perigo da exposição dos mesmos às aves predadoras.

Logo em seguia uma grande tempestade se forma rapidamente a toca é inundada. A raposa salvou os filhotes. Ponderou e trocou o risco da toca pelo risco da ave de rapina. O que aconteceu?

(2) Na enciclopédia “O Ramo de Ouro”, treze volumes, do antropólogo Sr. James George Fraze, temos uma enorme riqueza de detalhes de como ao longo de milhões de anos a transferência do conhecimento se deu pelo não errar e as consequências dessa tradição na formação do homem. Algo muito profundo que merece muito mais atenção dos educadores.

São milhares de rituais para aprender a sobreviver pelo não errar. Basta analisar a sequencia de tabus tão bem descritos na obra, que ao longo do tempo a humanidade estabeleceu, para entender os mecanismos do não errar que estão ali presentes.

Não errar significava continuar vivo e garantir a sobrevivência do grupo. Questão coletiva. A questão era tão aguda que se fazia presente de forma permanente na vida de todos, sendo observada inclusive nos rituais do pós morte. Qual o significado por exemplo, do jantar dos familiares após o enterro tão comum até hoje em diversas sociedades?

As observações nos levam a admitir que não errar significava adquirir uma enorme capacidade de observação de sinais fracos, e sua  interligação para a análise do risco, como fator de alimentação da
ação, que foi o que levou a raposa a salvar seus filhotes.

(3) Para citar apenas 3 livros importantes, entrando agora no livro a “Origem das Espécies” de Charles Darwin, percebemos a todo momento que a natureza molda os organismos vivos tanto do reino animal como vegetal para a sobrevivência, consumo mínimo de energia e perpetuidade.

É por exemplo, nossa observação direta na Serra da Mantiqueira, como determinadas plantas de ciclo longo percebem precocemente como vai evoluir a humidade no ar e por conta da análise desse sinal fraco, soltam as sementes no tempo rigorosamente adequado para o aproveitamento máximo do estoque da humidade disponível. Antenas externas direcionando e alimentando a  central de tomada de decisões da planta.

É muito interessante como a observação de diversas espécies animais nos leva a perceber quando a saúde declina por desvios no ciclo biológico natural. A humanização forçada de muitos animais de criação leva a prejuízos graves pouco percebidos.

De todas as pesquisas que temos desenvolvido recentemente, aparece sempre como o organismo do animal muda a sua estrutura para responder ao risco, aos temas de energia mínima e à busca da sobrevivência e perenidade.

A natureza preparou os animais fortes, superiores, e os que vão sobreviver até o final dos tempos, para a aplicação da Metodologia Analítica com foco na sobrevivência.

3. Uma questão de relevância social e econômica para o humano

Em reunião com um professor de Harvard no ano de 1969, discutimos como o ensino era considerado pelas grandes universidades dos Estados Unidos da época. O raciocínio não mudou muito desde então!

Veio à tona na discussão a estatística de que cerca de 5% da população de alunos tem habilidades naturais desde o nascimento para aplicar a Metodologia Analítica, o Método de Análise Científico. Mais 15% dessa população dominam no tempo a aplicação da metodologia.

Essa análise vem dos estudos e análises estatísticas sobre o desempenho dos alunos nos diferentes padrões de universidade americanas. Outras fontes de informação nos passam números parecidos.

Essa população dos 20% é o objeto de atenção de todas as grandes universidades, não são somente americanas, mas do mundo todo.

3.1. Os 20% e a sequencia de valor estratégico

Estar perto dessa população e a ter como aluno é importante para as grandes Universidades por conta da sequencia de valor estratégico que se consegue observar na prática.

Cidadão: è ⇒ + Capacitação para Metodologia Analítica =

+ Capacidade de visão de horizonte è ⇒
+ Capacidade de análise è ⇒ + Foco è ⇒
+ Capacidade de síntese è ⇒
+ Capacidade no uso de recursos escassos para estruturar soluções è ⇒
+ Auto confiança do cidadão è ⇒ + Coragem è ⇒ + Protagonismo.

Qual o resultado prático dessa sequencia dita de valor estratégico?

3.2. A divisão das competências e os aspectos sociais

As estatísticas nos dizem então que as grandes universidades estão trabalhando os 20% da população apta ao raciocínio de alto valor, raciocínio sofisticado, estruturado, focado, aquele que conduz às grandes iniciativas no universo da criação de valor.

Aqui podemos deduzir que as grandes universidades tem então como objetivo a formação de líderes empresariais.

Função vital da inteligência a guiar os caminhos e criar o futuro!

Por outro lado, as estatísticas nos dizem que as demais entidades de ensino nos Estados Unidos, formam cidadãos para o melhor desempenho possível no trabalho.

Temos então que as demais entidades de ensino formam os que sustentam o pão na mesa de cada um e de todos, a cada dia que passa.

Função vital da inteligência a guiar o trabalho que vai gerar riqueza e vai sustentar a todos!

Por outro lado, a formação em larga escala para o melhor desempenho no trabalho enfrenta no mundo todo a concorrência da automação e robotização.

O humano que é formado para o trabalho vai progressivamente sendo substituído pela inteligência artificial a serviço das máquinas e robôs. O que vai sobrar?

Decorre que os problemas sociais vão aumentar continuamente, pois teremos de forma sistêmica menos contratações em relação ao passado para todos os países, com aumentos de população
que continuam acontecendo.

A relação 20% x 80% não pode continuar. A população dos 20% tem que evoluir para muito mais como forma de sobrevivência social e econômica.

Problema!

4. De onde vem a capacidade dos 20%?

Adotando uma simplificação para a colocação da questão, considerando uma síntese apenas dos 3 autores citados, o que temos aqui como hipótese / tese é que a capacidade dos 20% vem na história que antropologia nos relata, do enorme esforço de desenvolvimento da capacidade de captura dos sinais fracos dentro de um ambiente hostil, de enorme tensão e stress pela sobrevivência, que teve ao longo do tempo a capacidade de moldar o cérebro dos animais para a observação necessária.

Com a evolução e as condições modernas de vida, os mecanismos de stress da condição de análise que habilitaram para a  sobrevivência todos os humanos, entraram em decadência e a capacidade de
observação e análise de sinais fracos foi se perdendo, em particular entre os humanos.

A observação cabe também para os animais humanizados.

Estamos então nos atrevendo a dizer que 80% da população que já teve no seu DNA uma capacidade de análise superior àquela que existe hoje, a perdeu ou corre o risco de a perder.

O reflexo na organização mundial da sociedade pode ser brutal. Hoje em dia precisamos de muito mais cidadãos com capacidade analítica.

5. A construção da capacidade de análise que perdemos pela anestesia da vida moderna

Dentro do tema da construção da capacidade de pensar, a empresaria Juliana Navarro Torres Junqueira trouxe para o Brasil novos padrões de análise e métodos de trabalho que merecem toda a atenção e que geram diferentes hipóteses para as análises do que está acontecendo. Duas operações piloto estão acontecendo nos Estados de São Paulo e Pernambuco.

Tomografias mostram como as sinapses cerebrais se multiplicam no cérebro de recém nascidos quando corretamente estimulados. Essa multiplicação de sinapses permanece no tempo. Na ausência do estímulo o desenvolvimento da rede neural é menor e fica dentro do padrão do DNA da família.

Muito interessantes são as tomografias que mostram a reação do cérebro em situações em que a mãe fala com a criança, uma terceira pessoa fala com a criança ou quando estamos em situação de silêncio. A diferença de resposta mostrada na tomografia nos faz perguntar sobre os temas do não errar e como o diálogo era permanente no ambientes sociais do passado.

Estatísticas americanas, italianas e de diversos outros países, nos mostram que quando há aumento do número de sinapses, o humano ganha potencia na capacidade de pensar. Tudo melhora, comportamento na escola, comportamento na sociedade e no trabalho.

Será que temos aqui a chave para aumentar a atual população dos 20%?

Autor: bersou

Engenheiro Naval USP Politécnica de São Paulo, Marketing em Harvard, Boston, Trabalhos realizados por conta da associação mundial da Pirelli com Dunlop com equipes da Bocconi University em Milão, finanças na FGV em São Paulo. Mais de 20 anos de dedicação à psicanálise, história, história do comércio, antropologia, filosofia, semiótica e comunicação entre grupos sociais, sempre com visão de gestão do humano nas empresas.

Deixe uma resposta