Blog

Matérias, Eventos e Novidades

O Nó Górdio – um texto de reflexão

Górdio, rei da Frigia, para não esquecer a sua origem humilde amarrou a carroça com a qual chegou ao poder a uma coluna do templo de Zeus. Deu um nó que ninguém conseguia desatar.

O Nó de Górdio virou o símbolo dos problemas insolúveis. Alexandre o Grande chega, vê o nó, pega sua espada e corta o nó. Não desatou, cortou, mas o nó deixou de existir. Solução dos que enxergam fora da caixa.

O enorme cipoal de leis que estão a serviço do Estado, de seis direitos, de sua proteção e perpetuidade, estão destruindo a Nação no caso brasileiro. Os que estão sensibilizados ao problema
tentam desatar o nó.

A questão que se coloca é o que mais interessa ao Brasil, desatar o nó ou cortar o nó?

Os alicerces necessários

Nesse artigo tento sensibilizar os leitores por um longo debate que tive com Caio Marcio Rodrigues, a respeito do que consideramos alicerces legais do país e sua importância na continua geração dos problemas que enfrentamos a cada dia que estão destruindo o país. Enfrentamos o desafio de Alexandre o Grande. Desata o nó ou corta o nó?

Para entrar nesse tema, vamos aos significados das expressões Estado, Governo e Nação. Tudo o que dizemos a respeito dos problemas do Brasil acabam por considerar algumas dessas expressões.

Conceito de Estado

Como ao longo da história da humanidade o conceito de Estado se formou? Lembro que na formação da história encontramos as figuras dos povos mansos e dos povos violentos.

Os povos mansos foram aqueles que por razões naturais tiveram à sua disposição água, alimento, clima e vestimenta em quantidade suficiente para suprir e satisfazer a todos com dignidade, expressão muito importante nesse contexto. Não precisavam brigar para sobreviver. Nessa dinâmica de vida, formaram-se Governos, não se formaram Estados, pois tudo era muito  simples.

Os povos violentos foram aqueles em que as condições locais eram sempre insuficientes para a sobrevivência com um mínimo de conforto e dignidade. A luta pela sobrevivência caminhou então, não pela luta para alcançar o bem comum, mas pela luta para tirar o necessário dos outros. Questão fundamental, pois aqui nasceu a teoria do direito de tirar dos outros, algo que o socialismo sustenta até hoje. O fator promotor foi a questão da dignidade.

Desse confronto entre os povos mansos e os povos violentos nasceram as raízes dos Estados. O estado foi concebido originalmente como recurso de defesa,  coordenação, aglutinação para enfrentamento dos inimigos externos e pilhagem dos seus despojos.

Entramos então na arqueologia e antropologia. O Estado nasceu para o enfrentamento de situações e para isso criou a imposição de regras e confisco de recursos visando proteção. Nasceu o conceito de “Impostos”, que no fundo nada mais é do que o conceito de pilhagem voltado ao ambiente interno.

O importante aqui é a o Estado nasceu a partir da visão do inimigo. Ao longo dos séculos, para manter o Estado, inventaram-se guerras e quando não havia guerras para fazer, o inimigo eleito foi o próprio povo. Basta olhar o noticiário que encontramos essas questões no dia a dia da busca da sustentação do Estado a qualquer custo. Um dos exemplos atuais é a Venezuela. Rússia é outro exemplo entre tantos outros. Quando se diz que o Stédile tem um  exército para enfrentar inimigos, estamos no mesmo jogo aqui no Brasil  também.

Poder de Estado

Quando falamos de Estado, vem imediatamente ao nosso pensamento a questão do Poder do Estado. É onde está o arcabouço legal de uma máquina que se propõe a exercer a função de governar. Governar para o quê, qual objetivo, não está ainda em nossa pauta.

Vem a questão: o que se encontra dentro dessa entidade que se chama Estado? Fundamentalmente encontramos 5 entidades que representam o Poder do Estado. São 5 oligarquias representadas pelos:

  1.  Políticos,
  2. Funcionários públicos e burocratas,
  3. Sindicalistas,
  4. Empresas privadas que prestam serviços ao estado,
  5. OAB e todos os seus advogados.

Em tese deveríamos incluir aqui uma outra oligarquia que são as Forças Armadas, mas elas não exercem o poder do Estado no dia a dia, entrando em ação somente quando o Estado está em risco. Em todo caso, cada militar é um funcionário público.

Em seu livro Psychologie des Foules, Gustave Le Bon chama cada uma dessas classificações, oligarquias, de “Foules” e discute a energia que se gasta para preservar, fazer sobreviver e perpetuar essas entidades e o imagético que as conduz.

Entrando no conceito de oligarquia, vemos que cada uma dessas entidades tem seus interesses próprios, tem sua visão de sobrevivência e luta em primeiro lugar pelo interesse da própria oligarquia. Nessa ordem de interesses, a Nação vem depois. O povo vem muito depois, cabendo a ele apenas pagar e obedecer.

Autor: bersou

Engenheiro Naval USP Politécnica de São Paulo, Marketing em Harvard, Boston, Trabalhos realizados por conta da associação mundial da Pirelli com Dunlop com equipes da Bocconi University em Milão, finanças na FGV em São Paulo. Mais de 20 anos de dedicação à psicanálise, história, história do comércio, antropologia, filosofia, semiótica e comunicação entre grupos sociais, sempre com visão de gestão do humano nas empresas.

Deixe uma resposta